4 de janeiro de 2015

Passei a Passagem de Ano na Polónia

Agora que a ressaca já desapareceu como se fosse um avião de uma companhia aérea asiática, posso finalmente reflectir sobre a Passagem de Ano (PDA).

Eu passei a minha PDA numa casa-de-campo no sul da Polónia, eu até vos dizia o nome da coisa, mas tem tantas consoantes que a única forma de o dizerem é enquanto gorgolejam.

Estamos a falar de uma casa pitoresca e fantástica no meio de uma paisagem deslumbrante. A neve cobria todo o cenário, árvores e montanhas ao fundo. Mais branco e puro não se encontra, só no saco de compras do Allen Halloween. 

E para aqueles que reclamam do frio que fez em Portugal, aqui o bebé andou em 16 graus negativos, se, por andar, querer dizer que fiquei dentro de casa no quentinho e a beber.

Era eu e mais duas mãos cheias de Polacos (estava sem espaço nas malas). Ia ser uma noite épica, disse eu enquanto aplaudia para dar ênfase ao momento. Infelizmente matei os polacos todos que tinha nas mãos. Tive que mandar vir um avião da Ryanair para substituir os outros. Assim que chegaram, enchemos o frigorífico de vodka, cerveja, comida, mais aperitivos nas mesas, computador e sistema de som topo de gama - estávamos prontos para começar.

O nosso DJ chamava-se Youtube e Spotify e era gerido pelo indivíduo que estivesse mais alcoolizado ou cansado e precisava de sentar. Porque atenção! PDA Polaca não é feita a ouvir música generalista internacional sentado e à conversa, nem nada que se pareça.

PDA Polaca é passada com música polaca, a cantar, a saltar e a dançar! Eu cantei palavras e sons que nunca tinham saído da minha boca. Saltei como um coelho num trampolim que tomou ecstasy (o coelho, não o trampolim) e dancei como se fosse a princesa da noite (se tivesse bebido mais ou tomado o que o coelho tomou, corria o sério perigo de me transformar numa).

As horas passaram a correr, mas felizmente o meu mundo estava em slow-motion, por isso as coisas ficaram equilibradas, ao contrário de mim que não deveria ter misturado o vodka com a minha vida. 

É engraçado passar a passagem de ano na Polónia, porque o ano em si passei-o em Portugal. Não sei para quem o passei, mas espero que trate bem dele.

Durante horas dancei músicas que nunca ouvi, com palavras que nunca disse, com ritmos com os quais nunca me mexi. Enquanto o ânimo e agitação dos demais me contagiava mais facilmente que Ébola num tubo de ensaio enfiado pelo meu rabo acima. Eu estava a ser a polaquizado! Que se dane que neve tanto lá fora que ursos polares andam em trenós puxados por esquimós. Quem raio quer saber que o meu sangue foi substituído por vodka e quando um vampiro tentou chupar-me o sangue apanhou uma grande narsa que se despiu todo (TODO, o meu puto estava maluco) transformou-se num morcego e foi ter a um espectáculo do Ozzy Osbourne (O PUTO TAVA TODO PARIDO) .

Sempre que poisava o meu copo vazio numa qualquer superfície (a minha cabeça incluída) prontamente um dos meus amigos polacos perguntava-me o que é que eu queria beber (isso é o verdadeiro significado de lealdade e irmandade malta colorida). Quando eu respondia "Agora nada." os meus amigos repetiam com um maior ênfase que a nossa mãe quando quer que arrumemos o quarto "Não Pedro, o que é que TU queres BEBER?". Como tinha medo das repercussões e de percussões (cago-me sempre que oiço um solo de bateria) e tenho a coragem de um texugo consultor informático numa pequena-média empresa do Alentejo, aceitei sempre mais líquido no copo e mais ressaca no dia seguinte.

Tinha mais vodka dentro de mim que um frigorífico russo.

Uma passagem de ano polaca é tão energética e surreal que faz o meu stand-up parecer uma aula de Direito Fiscal.

Enquanto o mundo girava (o que, se realmente pensarmos nisso, acontece constantemente pois a Terra está numa eterna volta elíptica), e o som de música polaca, polacos a cantarem, garrafas a partirem enchia o espaço e o cosmos, vi que 2014 me tinha deixado bem, feliz e motivado. 2015 tinha preparado para mim um primeiro dia complicado, com muita água e típico pequeno-almoço inglês, com ovos mexidos e salsicha. Ou o que os médicos britânicos chamam: Como apanhar um ataque cardíaco aos 40 anos.


Hoje estou de volta. Vamos ver como vai ser.

14 de novembro de 2014

Odisseia na Casa de Banho

Há poucas coisas piores que a vontade de defecar durante um encontro romântico.Assim de memória lembro-me apenas de :

* Ser comido vivo por velociraptors zombies enquanto alguém nos obriga a ver a versão hentai dos nossos desenhos favoritos.
* Ser chamado ao quadro na aula de matemática e reparar que fomos para a escola nus.
* Ser cariciado pelos tentáculos de um polvo. Não devia ter visto aquele hentai.

Mas tirando isso a vontade de purgar a minha cave enquanto um encontro se desenvolve é horrível.
É apenas impossível concentrar-me na história agastada e extremamente detalhada que a personagem feminina à minha frente tão energicamente comunica. Uma das possibilidades é soltar umas quantas bufas ninja enquanto se reclama que o ar condicionado deve estar estragado porque está a sair um cheiro esquisito. 

Cedo tive que concluir o dito encontro, teria que ser para outro dia.
Despedi-me da minha companhia e rumei ao caminho oposto (obviamente não poderia sequer indicar que tinha necessidade de dejectar furiosamente).

O problema é que estava eu em plena Cracóvia e tinha meia hora para ir até ao outro lado da cidade para me juntar a uma festa de aniversário. Não podia voltar até a casa porque simplesmente iria demorar muito tempo. Decidi então procurar o primeiro café com bom aspecto. Entrei num Coffee Heaven, uma espécie de Starbucks. A minha lógica prendia-se ao facto que uma sucursal desta magnitude teria de certeza um lavatório em condições impecáveis. Ha! Ha! Pedro... ha porra ha!

Eu não sei se já compreenderam o quão eu necessitava de purificar as reais nádegas. Como se uma barragem estivesse cheia até cima. A força que estava a fazer para conter esse acidente só é comparável com uma mãe que levanta um carro para libertar o seu filho. No meu caso eu fazia força para não parir nenhum bebé pelo buraco errado.

Como não queria dar muito estrilho e ir a correr mais rápido que o Usain Bolt para a casa-de-banho decidi pedir uma Latte. Isso, um Latte. Párem de rir. Pedi um pequeno latte e logo sugeriram-me se queria um grande só por mais 1 zloty. Eu como tenho a espinha dorsal de uma lesma e fico apavorado com relações comerciais disse logo que sim.

Ainda esperei uns dois minutos pelo café enquanto me contorcia todo. Recebi o latte que por sua vez era maior que as expectativas de uma relação amorosa na primeira semana. Como mais uma vez não queria dar estrilho sobre a minha necessidade de forçosamente emagrecer um quilo, decidi descer as escadas para o espaço "lounge" sentar-me a beber o café enquanto fazia de conta que lia uma resista em Polaco.

Bebi o café o mais rápido que a minha paranóia indicava que eu podia sem que mais nenhum dos cliente pensasse "Acho que aquele gajo quer cagar!" Porque é o que as pessoas pensam quando vêm alguém a beber um café e ler uma revista. Nada diz "Preciso de cagar" como estar sentado confortavelmente.

Despachei-me, corri para cima e pedi a chave da casa-de-banho. Ao que a senhora responde-me "Pedimos desculpa pelo incómodo, mas a casa-de-banho dos homens está avariada." "O QUÊ?" Devo ter dado alguma dica que estava aflito porque dei um murro a uma velha com um bebé nas mãos que passava atrás de mim. A empregada diz então "Mas pode usar a casa-de-banho das mulheres, tem é que esperar um pouco porque está lá uma senhora. "OK!" - disse calmamente.

Tanto eu como o que estava dentro de mim ficámos à porta à espera. E eu não sei, mas a mulher está a demorar imenso... acho que devia estar a mandar um fax do tamanho da bíblia, e ainda não tinha acabado o antigo testamento. Nesse momento a velha com o bebé levantou-se e eu voltei a dar-lhe um soco. Os paramédicos chegaram um minuto depois.

A mulher lá saiu da casa-de-banho e fechou a porta à chave "OBRIGADO" disse calmamente. Deu-me a chave e procedi à abertura da porta. Que não abria. Estava bloqueada. Comecei-me a rir histericamente e chamei a empregada do café e indiquei que a porta não abria enquanto as minhas mãos agitavam como um tsunami. A empregada abriu a porta depois de umas tentativas e eu fui muito calmamente para dentro do cubículo. E meus amigos, assim que dei ordem para abrirem as comportas, juro que ouvi uma orquestra a tocar o hino da Alegria: https://www.youtube.com/watch?v=PfOpAH2dcEY .

Que alegria! Que vida! O mundo é perfeito!!!! PONTOS DE EXCLAMAÇÃO!  Estava no céu. Tinha os olhos fechados e o coração aberto.

E então ouvi alguém a abrir a porta.... esqueci-me de trancar a porra. Olá senhora bonita, isto é um Português.

12 de novembro de 2014

A Este Nada de Novo

Coberto apenas com o espírito lusitano de exploração fui em direcção de Nowa Huta. Cedo fui interceptado por um polícia que me perguntou porque não vestia mais qualquer coisa para além do espírito lusitano.
Eu respondi em bom português (o que foi uma parvoíce já que o policia polaco só falava, no máximo, um português mitra), mas nenhuma justificação chegou ao agente, então tive que vestir mais qualquer coisa.
Aviso desde já que isto de estar num país estrangeiro com línguas estrangeiras e tentar comunicar leva sempre a que se perca qualquer coisa na tradução. Eu já perdi a carteira e um relógio.
Nowa Huta é um distrito caricato de Cracóvia. Foi criado pela U.R.S.S. para castigar o espírito lutador e intelectual dos cracovianos. Mas agora é o distrito mais habitado e parte integral de Cracóvia. Também é a sede dos saudáveis hooligans da zona. Desconheço onde é a fome.
O que tem de interessante é que toda a sua construção (arquitectura e planeamento urbano) é o sonho molhado de um projectista soviético.
O que não tem de interessante é que nem todos os resquícios soviéticos foram apagados, por mais que chamem à Praça Central de Praça Ronald Reagan.
Estou eu a beber do meu cantil de zupa grzybowa quando, do outro lado uma enorme estátua de metal, metade Lenine, metade Estaline surge. A multidão abriga-se nos Bares de Leite e nos fundos europeus.
O Super Lenine-Estaline grita e urre. Destruindo tudo à sua passagem. Eu não sabia o que fazer. Mas felizmente não estava sozinho. Convoquei um meet imperialista no facebook e do centro da praça surgiu um herói! Nem mais nem menos que Ronald Reagan (versão cowboy).
Senti-me aliviado, porque a mera presença do Super Lenine-Estaline já me está a influenciar a comprar o bilhete do avante e eu preciso do guito para pagar os impostos.
Ronald Reagan não veio sozinho, deve ter aprendido com os ciganos. Ao seu lado tinha o Pai-Natal da Coca-Cola, o Palhaço do McDonald’s e a Estátua da Liberdade:
Let’s kick some commie ass!” grunhiu Reagan. O Pai Natal abriu o seu saco e tirou de lá um bastão de aço, dizendo: “Ho! Ho! Santa wants to spill some red ideologist blood today.”, o palhaço cagou na cena e abriu um restaurante na esquina.
Quem atacou primeiro foi a Estátua da Liberdade, invocou o seu direito na cara do Super Lenine-Estaline. Com mestria segurou os braços do inimigo vermelho enquanto Reagan e Pai Natal abriram a cortina de ferro do monstro.
O Super Lenine-Estaline conseguiu ainda ensinar a uns seguidores lusitanos que o seu aproamento da teoria em nada a prejudica. Que feliz que fiquei!
Reagan e o Pai Natal continuaram a encher de porrada o bicho. Eu consegui engatar a Liberdade e agora é a Estátua Libertina. Levantar aquele vestido foi mais fácil que levantar a economia. BA-TCHUM-TCHUM! Eu estudo política bitches!
Eu tirei umas fotos bacanas, mas fiquei sem bateria no telemóvel, depois mostro. Acho que vou fazer uma de Jennifer Lawrence e pôr as fotos online e dizer que não as vi. Mamas e ética, um cocktail do qual, não só me orgulho, como também tenho uma t-shirt para celebrar o facto. Ou o fato. Um deles.
Enquanto isto se passou acho que o palhaço abriu mais uns restaurantes. Penso que até abriu um no meu bolso. Mas lixou-se, que os meus bolsos estão rotos.
Numa marcha triunfal, surgiram tanques ianques a disparar europoupanças para cima do inimigo soviético. O Super Lenine-Estaline comeu aquilo tudo e agora são só euroesperanças.
Felizmente, os capitalistas venceram a luta e a estátua foi desmontada e vendida a turistas ocidentais como souvenir. Um bom capitalista não partilha, faz share.
Um pouco por todo o mundo obesos com ipads celebram e abrem restaurantes de hambúrgueres artesanais.


Eu fiquei com o número da Estátua da Liberdade mas não vou ligar, não gosto de me sentir preso.




5 de novembro de 2014

A ESTE NADA DE NOVO

Assim se passou um mês desde que o real rabo assentou em Cracóvia. Como anteriormente referido, Putin acalmou as suas hostes assim que o Kremlin avisou que Il Potentissimo encontrava-se já a devorar (saladas) russas. Curiosamente, foi só chegar ao Mar Báltico, lá para a zona da Letónia, para o meu amigovski enviar uns quantos caças zelarem pela minha saúde. Putin Flã (é como o chamo), estás no meu .
Até podem pensar que o meu ego está a voar melhor que a última embarcação espacial da Virgin, mas é com boa razão.
O que se vai seguir nos próximos dias, começando hoje, é uma descrição mais pormenorizada do quão fantástica é a Polónia, do quão única e especial é Cracóvia e do quão a Este… nada de novo.
Não dá para explicar como me sinto ao regressar à Polónia. Os cheiros, as cores, o frio, a língua. Estou como gosto. É o meu país. Sim, é meu. A União Soviética já não manda aqui.
Deixo-vos com um retrato meu que ilustra a forma triunfal como defrontei os obstáculos da vida, montando o meu fiel corcel, Carlos Henrique, SA.

30 de setembro de 2014

A Este Nada de Novo

Eu acho que é altura de vos mostrar algumas das coisas que coloquei na minha mala. Preparar uma viagem ao Leste Europeu, é tão complexo como a auto-estima de uma adolescente borbulhenta. É necessário estar-se prevenido e não cometer erros, tal como aquela vez que fiz um pequeno João. Beijinhos João, espero que te estejam a tratar bem no orfanato. 

Coisas para levar para a Polónia:

1-  Uma Montanha Bíblica de Preservativos. Mas atenção, se Pedro não vai aos preservativos, os preservativos não vão ao Pedro. 
2- Desculpas. 
3- Um casaco de peles de urso Castanho tingidos com a cor da moda. Camuflado resulta sempre bem!
4- Um fígado extra para poder transportar o vodka em excesso. O Mercado Negro tem uma loja online. Fígados muçulmanos são particularmente saudáveis.
5- Uma história pessoal bem elaborada e falsa que demonstra o quão fixe tu és na tua terra. Se tu, tal como eu, és um Português branquinho, loirinho e não aparentas à partida ser membro do clube dos Machos Latinos, podes usar um sotaque italianizado no teu inglês. Elas ficam doidas. Resulta melhor com fêmeas menos educadas.
6- Clichés histórico-culturais sobre Portugal. Dá sempre jeito numa conversa multi-cultural regada a cerveja e tretas.  Eu tenho um pequeno bloquinho com vários, tipo: O terramoto de 1755 em Lisboa foi bué desastroso e tiveram que reconstruir a Casa dos Segredos de novo. Ou Foi uma moça tuga que deu chá aos ingleses. E quem esquece o sempre requisitado Toda a malta canta o Fado lá em casa e tivémos um Império mesmo grande. Ia da Televisão Globo, aos Casinos de Macau até ao Xanax Gusmão.
7- Treino militar para fugir dos Russos quando vierem.Também podem atirar uma faixa de disco-tecnho dos anos 90. É garantido que qualquer soldado moscovita pára para dançar e dar tiros no ar.
8- Fones com música eclética Portuguesa a qual nunca ouvimos quando cá estamos, mas muito fascinante para quem é de fora. Do género "Hey tu, yah, ouve tu isto, eu vou ouvir Katy Perry."
9- Fingir que percebes tudo sobre peixe e bacalhau. "Sim, se usares o bacalhau como chapéu o cabelo fica mais liso e sedoso. Isso? Isso é um espadarte. Ah, é um frango... pois mas em Portugal os espadartes são assim. É uma cena cultural."
10- Uma mente aberta. A Polónia é fantástica!


17 de setembro de 2014

A Este Nada de Novo

Já seria de esperar que mais cedo ou mais tarde, este pequeno deus lusitano teria que voltar a fazer malas e encaminhar-se para Terras Eslavas.

A petição assinada por mais de 10 000 mulheres que pedem o meu regresso à Polónia não pode ser ignorado. É um dever, um direito e acima de tudo, uma diversão do caraças!

Desde que vi, em Dezembro de 2013 a queda da minha estátua em Kiev, percebi que a minha separação da genitália feminina eslava está a criar contestação e tumultos.

Pelo que percebi o próprio Putin entendeu que as suas mulheres não podiam estar tão afastadas de mim. E num gesto de puro pânico, invade países em busca de chegar mais perto deste excelso ser que sou eu. Eu, e isso é perfeito.

MAS!

Relaxa Putinas. Acalma os teus tanques e misseís. Mete o teu canhão de volta nas calças. Diz ao Kremlin para pôr mais tabaco. Eu vou voltar.

Em breve, perdão, em Cracóvia vou ficar os próximos tempos. É um início. Vou mascarado de estudante de mestrado para não alarmar. Se, porventura, todas as mulheres e proto-mulheres soubessem da minha chegada, as filas para a minha zona pélvica seriam maiores que na abertura de uma Primark. E os meus preços são igualmente baratos.


Isto é o início. Fiquem comigo até o fim!

14 de julho de 2014

Fui à Índia!!!

Querido Amigo,

Os últimos tempos têm sido complicados. Fui de férias à Índia e fiquei num Hotel sem estrelas. O céu estava limpo. Ao contrário do Hotel que estava mais sujo que a mente de um comediante. Os Índios gostam tanto de números como gostam de vacas. Eu nem sabia que as vacas eram sagradas lá. A minha T-shir "I <3 Beef" não fez o furor que imaginei. 
Cheguei ao Hotel em plena conferência de matemáticos (os rapazes gostam mesmo dos seus números). Quando me deram a chave aquilo tinha uma equação. Assim que resolvesse ficava a saber qual era o meu quarto.
Eu juro-vos, epá juro-vos que o meu resultado foi Penthouse. Mas como eles não vendiam essas revistas fiquei nos classificados do Correio da Manhã. Não tinha almofadas mas usei as mamas de silicone de uma fotografia do canto da página. Fiquei bastante confortável.

A Índia não é tão má como pensava... é pior. O perigo está em todo o lado. A índia é como um Mini-Martim Moniz mas sem sunset party. E o Chinês Ilegal não é muito simpático.

Mal cheguei vi uma senhora idosa com um ponto vermelho na testa. Consegui salvá-la do sniper que a perseguia. (Felizmente usei os meus dotes acrobáticos que aprendi quando era figurante em orgias alemãs). As pessoas começaram a perseguir-me em celebração (algo que é costume nos índios). 

Decidi oferecer flores a todos os índios que conheci. Mas ninguém aceitou. Pensei que era tradição...

Fui à procura de um daqueles famosos casinos de Índios que tanto me falam. Devem estar escondidos. Mas alguém há de ganhar tudo constantemente, porque todas as pessoas que vi eram bem pobres. Ou mau pobres. De facto não sei o que faz um mau pobre. Qual é a característica que faz com que um pobre seja mau. Come? Veste roupa? 

Fui jantar comida índia. Um erro maior que votar no Cavaco Silva. Na Índia é só picante. Eu não me aguentava de pé. As minhas nádegas tremiam que nem o terramoto de 1755. Tal como depois do terramoto, foi o maremoto que fez mais danos. Só para perceberem bem, os índios eram bem branquinhos antes.  
É tudo muito picante, fiquei noites e noites a defecar objectos que nunca foram encontrados na Natureza. A sério que o picante faz um gajo cagar. Deve ser por isso que os índios são tão magros. Só comem picante. Nem comem arroz nem batatas, é mesmo só piri-piri e malaguetas. Nada mais! Juro! 

Entretanto ainda não consegui arranjar dinheiro para voltar a Portugal. Mas arranjei um trabalho... de parto.
Mais dois ou três putos e deve chegar.

23 de maio de 2014

TOP 10 RAZÕES PORQUE DEVEM FAZER ERASMUS

Eu sou tão experiente em Erasmus que já apanhei doenças sexualmente transmissíveis com idiomas diferentes. As mais divertidas são as russas. Não percebo um caraças do que dizem, mas ardem que se farta.

Mas não me vou alongar mais (piada fálica) e apresento as:


1- Vão ver tantas gajas boas que os vossos tomates vão explodir de prazer (favor usarem boxers de betão). Também vão ver tantos gajos bons que as vossas... hm... mamas? Sim, mamas, vão vibrar de prazer e fazer barulhos esquisitos.


2- O prazer de mentir a raparigas de culturas diferentes sobre o vosso passado só é ultrapassável pelo prazer de comer um kebab às 4 da manhã, feito por uma turca depois de dormirem juntos.

3- Podes ensinar "Vai-te foder!" a um amigo estrangeiro dizendo que significa "Como estás?". Para máxima diversão, comprem um bilhete de avião para esse vosso amigo e apresentem-no à vossa família.

4- Aprender uma língua nova é um desafio interessante e giro, melhorado pela possibilidade de, quando voltarem,  mandar piropos em polaco para as tugas de mini-calções no Outjazz.

5- Os tipos de álcool que irão entrar nas vossas veias sanguíneas são o suficiente para encurtar a vossa vida uma dezena de anos. Algo que é tão positivo como o vosso teste de HIV se não usarem protecção.



6- Chateiem os vossos amigos com as vossas estórias de erasmus (se começarem a ficar sem ideias, recontem as mesmas aventuras mas agora a partir de dança contemporânea, ou poemas épicos ilustrados) até eles estarem tão fartos que vão: a) arrebentar com os miolos; b) espancar-vos; c) ignorar-te como sempre fizeram.

7- Vejam a vossa média académica aumentar para descontentamento do vosso colega marrão nojento que estuda todos os dias. Para máximo prazer enviem-lhe fotos vossas em que estão acompanhados por duas francesas boazonas. Para pontos extras enviem uma foto em que estão nus com a mãe dele.

8- Em Erasmus podem gabar-se de coisas que os vossos amigos fizeram, como se tivessem sido vocês e receber os louros. No regresso a casa podem fazer o mesmo, mas ao contrário. Lembram-se do vosso amigo italiano que dormiu com três amigas na mesma noite? Pois, agora foram vocês ;).

9- A experiência internacional que vão ter vai vos ajudar imenso no vosso futuro profissional. Principalmente para imitarem os sotaques em inglês dos vários clientes que vão ter quando trabalharem no McDonald's.

10- Vão fazer muitos amigos. A maior parte deles irá dar-vos casa quando tiverem planos egoístas de viajarem sozinho. Sem que vocês queiram, realmente, acomodar os vossos amigos na vossa própria casa em retorno. 

Como podem ver, não há razão nenhuma para não fazerem Erasmus. Bora daí malta. Há que aproveitar antes que a União Europeia comece a Terceira Guerra Mundial :).

29 de abril de 2014

Cartas de Um Urso Apaixonado ao seu Salmão

Querido Salmão,
Vi-te no outro dia, no rio, a nadar contra a corrente.
Não me deves ter visto, estava camuflado de caixote de lixo por entre as árvores (foi o meu tio que ensinou).
Não quero ser esquisito mas... gosto de ti.

Querido Salmão,
Continuo a ir todos os dias mascarado de caixote de lixo para te ver. Os meus primos gozam comigo mas eles também são incultos. Não são como nós. Eu leio poesia ao luar e gosto de dançar. O meu primo, o Toné, é um pouco parvo. Acho que foi por ter batido com a cabeça numa árvore quando era pequeno. Só come baguetes de pasta de atum do Continente. É complicado alimentá-lo, mas a família espera que ele morra brevemente para não nos preocuparmos com ele.
Escrevi-te um poema:

"Ó Salmão,
És giro."

Não sou muito bom a rimar, mas arranjei um dicionário de um humano que comi e penso que me vai ajudar. Tenho que ter mais vocabulário. Os meus primos não gostam de ti.

Beijos.

Querido Salmão,
O meu primo Toné arranjou trabalho no Circo. A famelga está muito feliz. Não só por ele ir trabalhar e ir para longe, mas porque sabemos que ele vai ser mal-tratado. E todos nós, incluindo a Tia Hortense, achamos que ele já merece.
Arranjei um fato e uma gravata. Não consegui pôr as calças, mas a gravata fica-me bem e o fato deu para fazer uma capa misteriosa. Estarei à tua espera quando a lua estiver cheia. Estarei na margem. Como o nosso amor.

Escrevi outro poema:

"Ó Salmão,
És giro."

É igual ao outro, eu sei, mas desta vez usei lápis de cera. Foi uma re-visualização de um conceito já usado. Aprendi esse termo de um hipster nojento que comi. Sabia a soja e ervas esquisitas.

Beijos.

Querido Salmão,
Que mal te fiz eu? Seu sashimi bailarino. A saltitar que nem uma pulga cocainada! Não apareceste, obriguei os meus outros primos a tocarem música clássica enquanto eu, belo que nem um pepino, enfeitado com uma coroa e um vestido cor de rosa esperava-te perto do rio, com um ramo de flores! Também escrevi outro poema, mas agora não to vou mostrar. Na verdade é igual ao outro, mas desta vez foi feito com colagens.

És feio, não gosto de ti.

Mentira.

Gosto muito.

23 de abril de 2014

O Sentido Contrário da Vida

Enquanto monto o meu fiel corcel arco-íris até às portas da vida adulta, gritando e agitando os meus braços como se fosse uma queima de fitas, passo por várias etapas que se não forem chamadas pela nostalgia ébria, vão ficar mais esquecidas que generosidade fora da época natalícia.

Há uma altura em que as tartarugas-ninjas já não são os nossos heróis e somente um desenho-animado à espera de ser explorado por produtores e investidores. Há uma altura em que vestir uma t-shirt específica já não nos dá nenhum super-poder. E, há uma altura em que o amor já não vai ser o verão que nos iludiram a acreditar, mas apenas o que realmente é, uma primavera com chuva.

Mas não desesperem, não é razão para ficarem deprimidos, desiludidos, descontentes ou qualquer outra palavra começada com "de". Todos nós sabemos que essas palavras são as culpadas por desmoralizarem e destruírem desalmadamente qualquer indivíduo.

O que vos apresento é um chapéu parvo!!! Chapéu PARVO e óculos SUPER GRANDES!!! De certeza que vai animar a sua festa/noite/filme pornográfico, com um destes dois utensílios. Mostre aos seus amigos que ainda é aquela alma animada e divertida que era no secundário quando dava bufas com o sovaco enquanto o Professor grita para que acabe a equação no quadro!



No idos anos 20 um grande ancião hindi descobriu que óculos SUPER GRANDES e chapéus PARVOS com guizos ou perucas azuis conseguem aumentar...

...a percepção de diversão de um qualquer grupo de amigos. Hoje podemos encontrar os seus alunos espalhados pelo Bairro Alto e afins, desesperadamente manuseando a língua portuguesa para nos transmitir os ensinamentos de Abhiba Puhntadibuba. Ensinamentos de ouro por 3€. 1€ se a noite já estiver avançada e você estiver na defesa. Dizem as más línguas que Ghandi era um grande rival dos Puhntadibubaístas.

Espante as suas depressões e o vazio existencial dos seus amigos usando um CHAPÉU PARVO e ÓCULOS GRANDES!

"Olha como o João é um gajo divertido e sem problemas!"
"Sim, a beber, dançar e a usar um chapéu parvo e óculos grandes."
"Claramente aquilo não é um pedido de ajuda."

Já Sartre escrevia na sua obra "De chapéus parvos, óculos grandes e do seu contributo para a fuga da agitação interior na falta do sentido na vida". Traduzimos aqui no FOUDASSE PEDRO para os nossos caros leitores:

Fig. 1 - João Paulo Sartre todo besunto de absinto
"Existe, de facto uma ligação inequívoca entre a  compreensão filosófica do que é ser e chapéus parvos e óculos grandes. Não podemos fugir ao sentimento que ab initio nos preenche numa boa noite de galhofa e folia quando, no alto esplendor de uma maratona de canecas de cerveja, nos decidimos a responder à grande pergunta da existência. Qual é o sentido da vida? Bem, caros leitores, pode ser dos três copos de absinto que bebi, mas penso que a resposta está bem à nossa vista e, se formos felizes, está na nossa cara. Falo de chapéus parvos e óculos grandes, c'est ça!".

Fig. 2 - Alexandre O Grande com uma visão periférica.
É sabido que Alexandre O Grande tinha também uma especial atenção por chapéus parvos e, principalmente, óculos grandes.

Alguns historiadores que tomam LSD e snifam coca garantem de pés separados que Alexandre o Grande disse isto antes da sua vitória na Batalha de Gaugamela:

"Que não sejam mais homens, nem mais cavalos e mais lanças. O meu escudo está no meu chapéu parvo e óculos grandes! Persas? Merdas, mas é!"


Por isso, deixe-se de tristeza e de moleza. Os seus problemas não são nada para ninguém. Quanto mais são algo que os seus colegas ouvem antes de espetarem os seus próprios problemas na conversa:
"Sim isso é chato, mas olha que a mim aconteceu uma coisa parecida..."

Deixe de ser uma setup e transforme-se na punchline! BEBA! DANCE! E, se for caso para tal, um pouco de bâton ou um vestido da sua namorada -que o odeia de morte mas que necessita de si para pagar a casa- fazem o conjunto perfeito para uma noite existencio-opressiva.

21 de abril de 2014

Apanhei o autocarro hoje

Um autocarro passa pela vida mais depressa. Pela vida que está lá fora. Enquanto a nossa mantém-se segura e calma. Pouco periclitante, lá dentro.

Tudo passa depressa, tudo passa rápido. Aquando umas paragens foco nos pormenores do casal que discute na rua. Da mãe que tenta colocar o filho quieto dentro do carro. Não sou o único.

Todos que estamos dentro do autocarro estamos a partilhar um momento, e não os conheço. Quase como as minhas muitas curtes de uma noite. Partilhamos um momento, e não as conheço. As caras delas tão sólidas na mente como uma estátua de chocolate ao sol.  Um momento único, não por ser especial, mas por ser finito numa só vez. Não há romance, não é preciso. Já muito faço por romanticizar ou mencionar numa prosa disconecta.

E estamos no autocarro, parados. E a vida corre à nossa volta. Todos desejosos de chegar à nossa paragem, que nunca está realmente perto de onde queremos ir.

1 de abril de 2014

Manifesto Anti-Bruce Lee

ABRACADABRA! Ora aí está algo que te falta. Não sabes nada da magia do cinema e o teu hálito cheira a chulé. Pois é! Nem és chinês nem americano. Mas há duas coisas que és: Sagitário e um grande otário.

Uuuh! Wuaaaah! O que é isto? Gemes mais que uma mulher em trabalho de parto. Estou farto. O teu Kung-fu kung-funde-me e o teu boxe chinês tem tanto de bom como o cu tem de cara.

Os teus filmes são piores que descobrir que se tem sida. Quisera que um dos teus pais a tivesse apanhado e não teríamos nós gramado com a tua obra. Que tem tanto de obra como uma puta tem de dama.

Tanta porrada que deste que não passou de ficção. Uma sempre má filmada cena de acção. E não me venhas com essas filosofias pré-cozinhadas e orientais. Que não nos orientais mais que uma bússola partida. Tu és um restaurante chinês dos demais onde a carne é de rato e solas de sapato são vegetais.

E pára de saltitar sua pulga de olhos em bico. Isso ou veste um vestidinho cor-de-rosa e laçarote, pode ser que assim os ocidentais te respeitem mais. Pseudo-filósofo com pensamentos transcendentais.

Chega, tens que parar!
Acho que já percebeste que me estás a chatear.

Dá-me um minuto, lembrei-me de uma cena tua de acção.
E acho que preciso de vomitar. Gregar e bolsar. Para cima de um dos teus filhos. Um que esteja vivo. Acho que o Walking Dead não contratou o Corvo. Que estorvo. Sim, que não obstante o pai ter morrido, ele foi tão estúpido que para filmar um filme, deixou-se levar com um tiro. Hmmpf, suspiro. Já foi tarde.

Cedo seria teres nascido deficiente, quiçá assim fizesse sentido que a tua falta de jeito a lutar, não fosse mais que a natureza a funcionar.

18 de fevereiro de 2014

Tempestade de merda e esqueci-me do guarda-chuva em casa

Nunca pensei ou ponderei que a melhor cura para mim próprio era não ter tempo para dialogar com o meu consciente. Se eu conseguir dividir-me de mim próprio consigo tirar férias suficientemente grandes para desfrutar dos dias solarengos com uma imperial e uns olhares marotos da loira de olhos verdes do outro lado da esplanada.

A minha consciência é como o amigo que vai engatar erasmus a uma quinta-feira, não come nenhuma, reclama a noite toda enquanto traga jola atrás de cigarro, torna-se deplorável no caminho para casa e depois aparece no dia seguinte a dizer que foi "alta noitada!".  A minha consciência já me tentou enganar mais que uma solteira com filhos. E por mim ela só voltava quando tiver dinheiro para psicanalistas ou uma constante ingestão de whiskey do bom e do velho.

É que o barulho lá de fora cria quietude cá dentro e por outro lado o silêncio exterior torna-se numa tempestade interior de memórias e decisões piores que deixar um caloiro gerir uma tenda de cerveja.

E nem sempre consigo abafar-me com ruído. Sou um surdo com acessos de audição.

Os momentos onde parece que a cidade se move sem nos mexermos, onde vemos entidades humanas impermeáveis umas às outras. Manadas de gnus vestidos de fato e gravata, todos prontos a correr para comutar para dentro do comboio.

Mas o pior sou eu.

Ouvir o meu diálogo interno é como uma gigantesca gaivota com diarreia depositar enormes pedragulhos de bosta em cima de um carro acabado de lavar. E custa um pouco a sair se deixarmos aquilo tempo suficiente ao sol a secar.

É isso que a merda faz e nós deixamos fazer. De vez em quando raspamos a trampa do capot do carro, mas na verdade esperamos é que chova para aquilo sair.

Mas a merda não sai sozinha. É preciso fazer força e descarregar o autoclismo logo de seguida. E se for muita merda junta, a porcaria da sanita entope, e acaba por sair mais merda do que a que inicialmente cagámos.


Preciso de papel higiénico extra-suave  perfumado.


1 de fevereiro de 2014

Está frio

Os meus dedos estão a tiritar mais que a vagina de uma velha profissional do amor vergonhoso varrida por chatos nos pêlos púbicos.

Tremo mais que um adolescente dopado vindo do Boom Festival.

Se o frio faz crescer o carácter então eu quero ser um concorrente da Casa dos Segredos 5.

Tudo isto são idiossincracias do frio físico e simbólico que me rodeia. O que são idiossincracias? Não sei, mas fica bem nesta estrutura frásica. O que é uma estrutura frásica? Não sei, mas fica bem com a minha verborreia negligente. Sou um cirurgião de palavras e conceitos que não acabou o primeiro ano de medicina.

Mas a verdade é que a temperatura está a descer níveis tão baixos que acho que já posso chamar a mãe do frio de uma cadela cigana emporcada por estrume humano.

Alguém avisa o governo para baixar os impostos e não a temperatura? Algo me diz que isto é tudo culpa deles, aliás é sempre. Tem que ser, desde quando um regime representativo tem algo a ver connosco?

Mas a culpa é deles. Filhos de uma porca vesgueta viciada em Bingo.

Vou arranjar uma lareira e alimentar o fogo com vagabundos. Sai mais barato e dá para descontar no IRS disse-me um amigo contabalista sem-alma. vendeu-a dele porque podia declarar como gastos profissionais. Isso existe? Espero que sim.

Espero que o clima mude para algo mais caliente. Quero dançar o mambo, usar t-shirt e engatar raparigas meio intoxicadas pelo alcóol e meio confusas da insolação. A solução para a minha desolução.

PS: No Pólo Norte um Homem de Neve tentou violar-me. Então dei-lhe um pontapé nas suas bolas de neve.


17 de novembro de 2013

Gimmy Gym Jim

Depois de um ano onde vi as minhas mamas crescerem ao ritmo de um big mac por semana e atingirem a bela de uma copa B, foi altura de voltar à forma física de Adónis que deve reflectir a minha carismática personalidade.

Por mais doce que eu seja também é um exagero cobrir-me de gordura como se fosse uma foca. Mas a verdade é que a receita: trabalho + rotina + felicidade encheu-me mais de calorias que um gelado de amendoins fritos coberto com manteiga derretida e chocolate.

Dito isto, já passou um mês desde que regressei triunfantemente ao Gimmy Gym Jim (vulgar ginásio), reino dos bícipes, país das séries de 15 e terra dos nadegueiros femininos. Uma mistura de suor, orgulho e gritos quasi-ejaculatórios de homens que levantam mais peso que o da consciência de um gajo que comeu a namorada de um amigo.

Entre os míudos adolescentes, mulheres que jamais vão acabar o plano de treinos e os super-gorilas rapados, estou tão desenquadrado do ambiente como o David Carreira está de música. Um ginásio grita TESTOSTERONA e por isso eu fico sempre feliz por levar os meus fones e manter um saudável equilibrío hormonal durante a minha hora e meia de treino.

Mas a verdade é que voltar à forma física superior que é inerente aos meus genes só pode significar que estar desempregado não implica estar desocupado.

Ponto infeliz deste conto é que as minhas mamas desapareceram. Tocar nas minhas mamas era o que tinha de mais parecido com apalpar as mamas de uma caloira peluda. Ficarei agora obrigado a procurar nos meandros de bares rascas e ao som de músíca disco-pop uma qualquer porquita que esteja disponível (leia-se bêbeda que nem um texugo numa festa de despedida que enfiou um tampão ensopado de vodka pelo cú adentro)  para abrir o casaco e o soutien. Um sacrifício que todas as mamalhudas deviam fazer quando eu passo na rua. Sempre se pode sonhar.


13 de julho de 2013

O que eu aprendi com o Big Brother


Os nossos autarcas são piores do que imaginava.



Socializar é um jogo.



O George Orwell tinha uma visão distorcida e doentia de um programa de televisão (além que se parece muito misteriosamente com o Zé Maria).


Os meus objectivos de vida podem ficar para depois do fim da temporada.



Se eu tivesse uma filha...

Se eu tivesse uma filha o único poster de gajos que ia ter no quarto são meus. A olhar para ela com ar de mau... mas sem t-shirt.

Se eu tivesse uma filha usaria um marcador para desenhar uma mono-sobrancelha. E mesmo assim conheço miúdos que lá iam.

Se eu tivesse uma filha ela nunca iria sair à noite. Para ela, o seu baile de finalistas seria uma volta pela varanda a ouvir Michael Bolton enquanto vê os seus colegas de turma a desbuchar a juventude na rua, ébrios e de calças para baixo a fazerem o helicóptero. A felicidade está a um salto de distância.

Se eu tivesse uma filha a sua melhor amiga seria uma freira virgem de 80 anos. Uma passarinha mais seca que as minhas piadas é exactamente o que uma jovem precisa para se sentir amargurada em relação ao seu futuro e desdém para com os homens.

Se eu tivesse uma filha queria que ela fosse chinesa. Assim pelo menos alguém na família seria boa em matemática. Mas também porque as chinesas quando são miúdas são muito fofas! Porém quando crescem ficam mesmo feias, então assim que ficasse feia metia-a a viver numa cave. Não quero cá olhos em bico a estragar as minhas fotos de família. Para a alimentar uso arroz da marca do Continente e entretenho-a com um livro de sudoku. 

Se eu tivesse uma filha só gostaria de homens! Nada de Ellen DeGeneres. Não quero bate-chapas na família.

Se eu tivesse uma filha iria ensinar que os homens transformam-se em lobisomens durante a noite e mordem os narizes das mulheres e é por isso que a mãe dela grita e chora todas as noites. Não tem nada a haver com a sua depressão latente e angústia por ser esposa de um antagonista social narcisístico que peida pseudo-teorias num blog egocêntrico.

Se eu tiver uma filha e ela ler isso estou tão tramado. Só espero que ela não comece a beber, fumar e pinar até aos 18. Fiz uma aposta com um amigo que a minha filha aguenta mais tempo que a dele sem pôr a passarinha a cantar por minhoca.

21 de junho de 2013

Como descomplicar uma relação amorosa Zombie

Se há coisa que eu percebo é de relações amorosas. Eu tive mais relações amorosas por ano que um coelho ninfomaníaco viciado em cocaína e com problemas de jogo. Sou licenciado em desgostos e em imbecilidades amorosas. Tenho artigos publicados em vários corações e armazenei umas quantas obras no meu.

Além disso já vi todos os episódios do Walking Dead, sinto-me mais que preparado para vos mostrar "Como descomplicar uma relação amorosa Zombie". Assim que o Apocalipse Zombie chegar têm menos uma complicação na vossa cabeça (isso se tiverem cabeça)! Podem agradecer depois não me mordendo.

Eis então:

1- Nunca se ria se caírem os órgãos genitais decompostos do seu cônjugue.

2- Partilhem as crianças. Se o jovem de 14 anos fica para ti, ao menos persegue a moça inocente de 8 e oferece ao teu amor. Tem menos calorias e um Zombie delgado é um Zombie in.

3- Se um Zombie sem olhos olhar para as mamas da tua senhora, não te enerves.

4- Procura uma boa horda de Zombies onde te possas assentar com o teu amor. A vida em sociedade garante mais carne fresca, momentos épicos e horripilantes dignos de um final de temporada e uma vida sexual saudável -reverter ao ponto 1º em caso de dúvida.

5- Quando pedires a sua mão em casamento, não sejas literal. Além de ser uma piada gasta, ela é capaz de não gostar.

6-Tenta não manter apenas a roupa com que ficaste no corpo quando te zombificaste. Um armário variado mostra a tua personalidade, agarra os teus ideais! Expressa a tua individualidade, ela vai ficar doida.

7-Educa-te! Existem mais de 6000 idiomas no mundo. Tenta aprender Zombinglês para uma carreira internacional. Zombifrancês para a cortejar e talvez um pouco de Zombialemão, só no caso de encontrares o Zombie do Hitler e queiras passar por ariano.

8-Nunca coloques as mamas de outro Zombie na tua parceira-zombie, além de pouco ético, as chances de as mamas sincronizarem bem são bastante pequenas... tão pequenas como as mamas da tua parceira.

Ora aqui está uma lista que de facto enriquece a vossa vida após a morte. E acreditem em mim, sou especialista em "matar" relações à distância, o próximo passo lógico é tratar de relações de mortos.

Agora com licença, vou ao jardim de infância buscar jantar para a minha defunta.



19 de junho de 2013

Subir a Alfama, descer até à Praça

Decidir subir a Sé e ainda mais acima até a Alfama numa noite de Santos Populares não é para os fracos. 
Nem falo na aventura de ultrapassar a enorme mousse cultural de pessoas que enchem as ruas como colesterol na veia de um norte-americano obeso "SUPERSIZE ME BITCH!". 
É preciso mais determinação que a maioria, ignorem as sms dos muitos "Espera aí que já vou aí ter!", nunca acontece. Perdem-se na subida com alguma tasca ou loira estrangeira.

E eu decidi subir toda aquela merda.

Enquanto subia, embatia em tudo o que era gente. Há muito tempo que não sentia o toque humano no meu corpo, nessa noite enfrentei uma espécie de toque humano indiferenciado, mãos e rabos espetados contra mim : "Isto foi um apalpão?".

Ao subir e subir senti-me numa cronologia, seguindo e seguindo de etapa em etapa a ver os sucessos e erros que me passaram pelas mãos. Deixava-os para trás afogados em cerveja e fui subindo e subindo até chegar ao topo. 

"Eu lembro-me de ti de algum bar, acho..."

E ao chegar ao topo, o arraial já estava a acabar. Cansado da jornada, abasteci-me e continuei a ver a longa lista de erros e asneiras que ficaram pelo degraus.

Imediatamente desci até à Praça do Comércio, onde, à beira Tejo, vi o Sol nascer, com uma mensagem de um novo dia e uma nova folha branca e pura, pronta para ficar cagada e cheia de rabiscos e notas. 

Humildade faz-nos bem. Tive que experimentar o fado de Alfama para apreciar a luz da Praça do Comércio.

24 de abril de 2013

Porque Não Devemos Salvar Uma Princesa


O Pescador e o Rapaz estavam a andar pela Floresta, procuravam por esta torre e pelas mamas da Princesa. Pois tinham que apertá-las para seguir com a sua vida.
Esta floresta estava cheia de insectos chatos e de castores com raiva. Uma combinação tão apetecível como um despedida de solteiro num lar de idosos.

Ao explorarem esta Floresta infestada de castores com raiva, avistam no horizonte uma enorme Torre de Pedra. A torre ia tão longa, mas tão longa que o nosso par de heróis pensava que estava drogado. Curiosamente, não estavam.

No topo, numa varanda viram uma linda Princesa (pelo que parecia ao longe, também podia ser um sapo com vestido e peruca loira que dava no mesmo).

“Pescador! Olha só ali!” –afirmou o Rapaz.
“Sim, estou a ver. O que é?”
“Como assim o que é?” –reiterou o Rapaz –“É a Princesa! E acho que ela está em perigo.”
“Ai achas? E porquê? Só porque temos que lá ir acima e apalpar-lhe as mamas não quer dizer nada. Aliás, se esta merda não tem elevador é bom que me leves às cavalitas. Que eu não subo porra nenhuma! Tal e qual o meu pénigina.”
“Oh..Pescador! Não sejas assim! Nós estamos agora numa Floresta negra e misteriosa, não é?”. –disse o Rapaz.
“Sim..”
“E a menina está ali em cima numa Torre escura e gigante, fechada numa varanda, sem roupa interior nova. Para sempre condenada a lá ficar!” – comentou inocentemente o pobre miúdo.
“Ai achas mesmo isso oh puto merda? Bem se ela está de facto condenada a lá ficar para sempre, então nós não temos nada que salvá-la, vamos lá, apalpamos e seguimos caminho para a próxima dimensão.”
“Como assim Pescador?”
“Então porra seu balde de cocó fossilizado! Ao salvá-la estamos a mudar todo o conceito de ela estar para sempre condenada a ficar presa! Estaríamos a descondená-la!”
“Descondená-la? Está a falar a sério? Quem és tu? Jeremias, o Inventor de Palavras! Tás armado em Wikipedia? Desculpe Senhor Tarado, mas não concordo consigo.” –afirmou, com algum espanto meu, o jovem Rapaz. Não sei o que vos parece, mas daqui, os tomates dele cresceram 2 metros.
“Oh! Não mudes o assunto Rapaz-Merda. Se ela está ali é por alguma razão  Não tem nada a haver connosco. Vamos lá, apalpamos e bazamos. “ Disse o Pescador, comeou a avançar com o seu dildo para a Torre quando o Rapaz parou-o.
“O Pescador já leu alguma vez um livro para crianças?”
“Eu? Não. E pelo jeito o autor desta história também não, isto é tudo menos um conto para crianças...uma falta de vergonha. Metam-me nos estúdios da PIXAR a ver se me metem cabelo de pastilha elástica com LEGOS e uma cana de pesca com dildos e papel higiénico. Pff.. Mas não nunca li um livro..mas vi os filmes, conta?”
“E pode explicar como são essas histórias?”
“Bem... –disse mexendo no bigode –costumam ser sobre animais que falam como pessoas. Cenas muito maradas se me perguntas.
“E que tal aquelas sobre heróis que salvam princesas? Afinal não é isso que estamos a fazer?”
“Epa sim oh porco. Mas esta não é a nossa Princesa. Temos que salvar a nossa, não podemos perder tempo a salvar todas!”
“Epa, fico chateado. Eu sempre quis ser um cavaleiro charmoso num lindo cavalo branco.”
“Larilas...”
“Feio!”
“Mas tu tás doido? Tens tudo a trabalhar bem aí dentro da tua cabeça? O Presidente da Coerência já está sem mandato?”
“O que ‘stás a dizer?” – perguntou o Rapaz.
“Um  Princípe charmoso num lindo cavalo branco?”
“Que tem oh velho?”
“Aonde tá ele caralho? Oh seu merdas, ela até pode ser uma princesa, mas tu não és um príncipe  Tu és um puto rabeta e ranhoso que, só porque és um puto inocente e puro estás nesta busca. Tu nem sequer és bonito. És asqueroso até! E o cavalo hein? Nem penses que me vais montar como um cavalo oh chupa-trombones. Eu ainda tenho princípios!”
“Princípios? E aquilo que fizeste há bocado?”
“Não sei do que falas” –o Pescador olhou para o lado, tentando mirar o horizonte.
“É, não é? Tu curtiste com um castor! Com raiva!” – vociferou o Rapaz.
“Quem? O Joca?”
“Sim! Joca, o Castor! Estavas todo em cima dele, parecias um palhaço numa festa de tartes.” – o Rapaz imitou o Pescador.
“Eu não te devo explicações seu caralho prematuro. Aborto com pernas!” –o Pecador tá mesmo raivoso ahahahaha! Que tarado.
“Então eu também não devo! Com licença...princesa! ‘Stá a ouvir-me?”
“Que merda...essa é a tua voz de príncipe?” –riu o Pescador.
“Olá? Está aí um príncipe charmoso? Com um cavalo branco?” –disse poeticamente a princesa no topo da sua torre.
“E se eu disser que sim...o que acontece?” –perguntou o Rapaz.
“Bem..então subam e venham me salvar!” –disse a princesa.
“E se formos aí acima para te tocarmos nas mamas, também pode?” –gritou o Pescador.”
“Hein? Não percebi...por favor! Estou condenada a ficar cá para sempre! E sempre e sempre!” –mas que desesperada que ela estava, coitada. E que boas mamas. Se eu tivesse mais vocabulário descrevia-as. Mas como não tenho digo : “Pabuuuum!”
“Então...estás condenada a ficar aí?” –perguntou o Pescador.
“Sim meu querido!” –respondeu a Princesa.
“Pronto! Então não te podemos salvar! Isso mudaria todo o conceito. Vamos aí acima, vamos te apalpar as mamas, quer gostes ou não e vamos para outra dimensão. Aliás, se aí estas, alguma merda deves ter feito. Deves ter sido uma vaquinha ou assim. Uma tarada!” –disse o Pescador.
“Olha quem fala! Tu curtiste com aquele castor!” –respondeu a Princesa.
“Olha a badamerda! Sua porca! 'Tavas a ouvir a nossa conversa! “ –o pescador tá a ficar irritado. Irra!
“E aposto que gostaste! Só para que te diga, o Joca vai com qualquer um. É um oferecido! “ –a Princesa está a irritar de propósito.
“Tu não fales assim do Joca. O que tivemos foi especial caramba. Argh. Oh seu caralho de Rapaz, vamos ali para o elevador de trás, eu vou apalpar as mamas desta moça como se não houvesse amanhã!”
“O Joca é um porco. Se fosse a ti ia testar-me. Deves ter apanhado Jocaide aguda. Essa merda mata!” –disse a princesa.
“Epa oh Pescador. Acho que é melhor testar mesmo . O Joca parece um pouco oferecido sim.
“Cala-te puto que não sabes o que dizes!”

O Pescador e o Rapaz subiram o elevador até à Torre onde apalparam as mamas da Princesa e foram transportados para outra dimensão. O que os espera? Não sabemos, mas o que sabemos é que Joca, O Castor, ficou fechado na mala de viagem do Pescador. Companheiro de viagem ou a história romântica da Viagem do Barco Azul Celeste? Cedo ficaremos a saber!